quarta-feira, 11 de outubro de 2017

UMA MÃO CHEIA DE TUDO
Que tempos são estes?


Que tempos são estes? e onde te encontras no meio de tudo isto?
Pelas ruas vês caras e mais caras, de propaganda superficial e de aparências, ruído e mais ruído que tenta furar o universo já sobrepovoado da tua mente. Na televisão vês outros a lançarem foguetes mísseis de tamanho avantajado, num exibicionismo que só poderá ser proporcional à necessidade de ocultar outros aspectos que envergam, demasiado pequenos... . Se não são esses, vês outros com discurso balofo e vazio de humanidade, mas demasiado alto, ecoando pelo mundo inteiro, que se divide entre a estupidificação das mentes, a poluição da alma ou um abanar de cabeça, acompanhado de uma grande interrogação sem resposta: Que tempos são estes?
Também tens aqueles, autistas, que vivem num mundo cor-de-rosa e que pensam que a vida começa na escolha da roupa que vão usar para o dia e termina no número de kilometros que correram, ou outro qualquer desafio que se colocaram a si mesmos, para se iludirem e por uns instantes se sentirem vencedores. Vencedores de quê?
No fim da vida, às portas da morte, aí terás uns vislumbre das tuas vitórias, e todas elas terão muito pouco a ver com o que conseguiste para ti, mas sim, com o impacto que tiveste nos outros ou no mundo de uma certa forma. E sabes? O mundo, aquele que interessa, está-se a marimbar para o que vestes, quantos kilos pesas, de que tamanho é isto ou aquilo. O mundo, aquele que interessa, só quer saber do teu coração e da tua mente, porque quando eles trabalham em boa parceria, beneficias tudo à tua volta. Provavelmente fá-lo de forma silenciosa ou pouco vistosa, mas isso também tem a sua razão de ser: A alma que conhece os Mistérios sabe que não precisa gritar, como faz o homem que levanta o dedo na TV, sabe que um sussurro basta para quem tem ouvidos, e a Verdade está à vista para quem tem olhos.
Estes são tempos de revelação! Tempos de trazer à luz aquilo que esteve oculto por muito tempo.
Por isso, temos gentes a contorcer-se numa desesperada tentativa de evitar a eminente diarreia, que sabem que irá revelar de que matéria são feitos por dentro.
Então lá vão disfarçando com isto e com aquilo, cada um à sua maneira, na área em que cada um se movimenta.
Nos circuitos da espiritualidade, não é diferente. A verdadeira espiritualidade, vê-se rara por aí. Aquela feita de gente que sabe, verdadeiramente, não só numa mente sempre susceptível à ilusão, mas num coração maduro de feridas curadas, que faz parte do Todo e que nesse Todo exterior há sempre o equivalente ao Todo interior.
Vejo-os abanar a cabeça, assentindo, perante afirmações do género, sim, sim claro, o que está forma de mim, reflecte o meu interior. Mas no virar da esquina, as suas atitudes contrariam integralmente até um entendimento superficial do conceito.
Espiritualidade é Coerência!
Não é subir para um palanque, levantar dedos ou citar o Guru da moda. Que diferença há entre este, e o outro dos foguetes. Esse também lá tem as suas convicções e também se põe em bicos de pé, ou de foguete, ou de mulher modelo, ou... enfim
Espiritualidade é ser Mestre em humildade!
E tendo o mestre mais conhecimento e sabedoria que o seu aluno, isso é inegável; essa humildade só é verdadeira quando decorre do reconhecimento de si mesmo no outro. O mestre é Mestre quando sabe que entre si e o seu aluno só há uma diferença: TEMPO. Ele vê no espelho que seu aluno é todos os seus desvios, seus erros, suas omissões, suas covardias, suas derrotas, mas também vê sua constante procura do saber, suas esperanças, suas vitórias, suas aprendizagens, sua humanidade.
Estes são Tempos, em que cada vez mais, de nada serve tentar disfarçar o lodo interior com qualquer manobra de diversão, pois todos vamos ser chamados. Todos, mais cedo ou mais tarde irão ser forçados a revelar o que habita em seus corações, pois no fim das contas só este vai para a balança, o resto são tripas e carne mais mal ou bem passada!
Na questão das terapias o mesmo paradigma se aplica. Ou é que se escolhe o caminho do parecer e não ser, ou é que se é, e pronto. Trata-se efectivamente, sem rodeios, indo directamente à ferida putrefacta que fede, mas fede mais se estiver fechada. E eventualmente deixa de feder quando é arejada e desinfectada.
Ou também podes continuar a tentar disfarçar com o último perfume das modas holísticas. Podes sempre tentar ficar à espera que um gentil Mestre Ascencionado, ou Anjo, ou ET bem disposto, venha resolver o problema que tens com a tua mãe e que andas a projectar para os teus relacionamentos, ou com teu pai, e passas de relação em relação infeliz, e não sabes porquê. Ou que algum terapeuta te resolva os teus problemas de obsessão, mas sem que tenhas de te preocupar com o gatilho que gerou a situação e muito menos responsabilizar-te pelo facto de que algo em ti foi foco da indesejável atracção.
Espiritualidade é trabalho no terreno!
É trabalho nas relações familiares, íntimas, sociais, etc...
É também terapia, quando ela é honesta e incisiva. Livre de convenções e de associações, actua em liberdade com base na compaixão e amor por todo irmão que se propõe à cura. Assim é Apometria.
Essa que praticamos há anos com tudo o que ela implica, porque este mundo e nosso presente trespassa o passado, os nossos ancestrais, o extra-físico até às nossas origens estelares, de Alfa a Ómega.
De pés bem assentes no chão, pela forte componente cognitiva da terapia que leva o paciente a perscrutar-se nos padrões que compõe o cenário integral da sua vida, eleva-se também a patamares transcendentes cujos limites só são impostos pelo tamanho da ambição evolutiva da Alma.
Esta é a inscrição que se pode ler na nossa porta:
Uma mão cheia de Tudo!
Se passa por aqui teu caminho, podes vir cá bater.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

O equinócio da alma


O equinócio está associado ao equilíbrio, marca o primeiro dia de balança. Os dias e as noites aproximam-se no seu tempo de duração.
Assim como a Terra e toda a vida se organiza para alcançar o equilibrio, também em nós o mesmo acontece.
Todos procuramos esse ponto, esse centro, no qual podemos ficar na Paz do reencontro com a perfeição que somos. Essa procura e esse encontro são definidos pelo que vamos semeando, pelas ecolhas que fazemos.
Este tempo, o equinócio, é tempo de recolha dos frutos. É tempo de reflexão, de interiorização, de recolha na intimidade do ser.
Aí onde as máscaras caem, pois não há paredes para segurá-las.
Aí onde só resta a transparência lúcida da tua alma.
Então, olhando para os frutos que são resultado da tua sementeira, poderás verificar o quanto te aproximaste ou afastaste do equilíbrio que beija a perfeição em ambas as faces.
Assim, é possível que neste momento surjam situações para te relembrar o que está a faltar, que desvios fizeste do centro e para que lado te levaram esses desvios.
Como sempre, é fundamental que olhes para ti, mesmo que através do espelho que os outros são, não deixes de olhar para ti.
O teu eu precisa da tua atenção para ser compreendido. Se não escutares com atenção ele terá de se fazer ouvir de qualquer forma, e se tiver de ser, ele irá usar o seu último recurso: o corpo físico. Poderás, por isso, neste momento de equinócio, ter que lidar com algumas desarmonias a nível físico. Cuida-te, trata-te com carinho. Decifra a linguagem do teu corpo. O teu eu fala contigo pedindo-te atenção imediata.
Por vezes, para chegar ao equilíbrio é necessário puxar o desequilibrio ao ponto máximo, para depois inclinar para o ponto central.
Poderá estar a passar-se isso mesmo na tua vida?
Então, recolhe-te na intimidade do teu lar interno e recolhe o fruto das tuas criações. Aí, nesse calor, dissolve tuas imperfeições, transcende tuas dualidades e reencontra-te no caminho do Equilíbrio Divino.
Dança com a Natureza em sincronicidade com o ritmo da Vida e promove o
Equinócio da tua Alma.

Alquimia do ser pelos relacionamentos


Os relacionamentos são sempre um tema que capta nossa atenção, não fossem eles tão importantes para uma vida plena e feliz.
Neste contexto, onde abundam as teorias e se multiplicam os falhanços práticos, frequentemente tenho ouvido que para que funcionem é fundamental aprender a fazer cedências.
Bem, não sei convosco, mas eu não podia estar mais em desacordo.
Explico porquê.

Estou em crer, se a memória não me atraiçoa, que era um tal de Aristóteles que falava dos conceitos de potência e acto. - De qualquer forma, se estiver a cometer alguma blasfémia filosófica, acredito que alguém terá a generosidade de me corrigir.-
Mas o que é que isso tem a ver com a questão dos relacionamento e das cedências?
Em primeiro lugar, importa esclarecer os conceitos. Considera-se acto a realização plena de algo que reside na virtualidade, ou seja, algo que está em potência. Assim como o fruto está em potência na semente. 
No caso do ser humano, diz-se que na essência da singularidade que cada um é está a potência, logo na realização plena dessa potência está o acto. Então, quando formos em acto, a nossa essência, teremos realizado plenamente toda potencialidade contida em nós, assim como um fruto é a realização máxima que uma semente pode esperar. Reforçando e continuando a analogia, podemos concluir que somos uma semente que vai crescendo, transformando-se numa plantinha com o objectivo último de um dia sofrer a última das metamorfoses e ser um belo e reluzente fruto. Na nossa essência estará, então, um ser completo, maduro e único. 
Mas como lá chegar? Essa tem sido a grande questão. Como voltar à unidade? E, principalmente naquilo que é mais palpável, como nosso dia a dia, como encontrar o equilíbrio que subjaz essa unidade?
Pois bem, não discuto que os caminhos são muitos, mas vejo os relacionamentos como um meio privilegiado de progressão, crescimento e aprendizagem. E, pensem lá, não será à toa, que todos somos impelidos a relacionarmo-nos. Tem de ser porque é mais favorável aquilo que nos traz por cá todos: crescimento.
Na verdade, sabemos já que as relações nos proporcionam a possibilidade de, pelo espelho que o outro é de nós mesmos, melhorar, aprimorar, direcionar a nossa própria evolução. 
Mas onde é que fica a questão das cedências?
Fazê-las ou não fazê-las em prole da saúde do relacionamento?
Considerando que cedências são dissociações entre nosso comportamento e nossa verdade interior, ou, dito de outra forma, é sentirmos uma coisa e fazer outra, pela expectativa de determinado resultado, parece me que fazê-las apenas atrasa um processo que, ao contrário, pela expressão da verdade de cada um, se torna muito mais rápido e eficaz. Isso porque as cedências têm sempre um prazo e principalmente um preço, que mais dia menos dia vai ser cobrado. 
Posso comparar as cedências ao exercício de reter a respiração. Todos conseguimos fazê-lo, mas chegará um momento em que teremos de retomar a respiração, normalmente, numa inalação profunda e, no imediato, descoordenada, sob pena de nos auto-aniquilarmos. Constata-se assim que cada vez que isso acontece perdemos nosso equilíbrio. Naturalmente, que quanto mais for prolongado esse tempo sem respirar, maior será o desequilíbrio na recuperação do fôlego. 
Entendam que esta não é uma analogia aleatória, pois o acto de respirar representa a troca. Aquela que se estabelece entre o nosso interior (eu) e o nosso exterior (os outros). Por isso, a metafísica da saúde nos diz que todos as enfermidades do sistema respiratório, nomeadamente pulmões dizem respeito a desequilíbrios nos relacionamentos.
Logo, quanto mais o ser se expressar na verdade do que realmente é, menos terá de recorrer a “inalações” de recurso para repor o equilíbrio perdido. 
Importa contudo referir que não fazer cedência do que somos, não é insistir teimosamente em condutas e comportamentos que interferem na liberdade do outro. É, pelo contrário, ter em conta que o movimento, a mudança, a alquimia do ser são fundamentais num relacionamento, ao ponto de ditar sua continuidade ou seu fim, sua saúde ou doença. Nada que é estático prevalece. O relacionamento, se vivido no sentido evolutivo, favorece uma contínua metamorfose estimulada pelos reflexos que projectamos no outro. Logo, é fácil de imaginar a confusão que se instala quando começam as cedências, ou seja, quando tentamos projectar reflexos mascarados, diferentes da nossa verdade interior.
Fundamental é a honestidade. Honestidade para admitir o que nos faz sofrer, o que nos incomoda, o que nos faz acreditar que temos de nos afastar de nós mesmos para melhor chegar ao outro.
Voltando à planta: não há planta que cresça sem água, certo? E sabemos que quem fala de água fala de emoções. Pois, são todas essas emoções que os relacionamentos nos causam, boas e más, que nos servem para crescer. Elas são verdadeiros indicadores, lembretes de que há transmutação a fazer em situações particulares, logo, reprimi-las, bloqueia todo processo e intoxica a alma.
Então é crucial termos a real noção do quanto é importante a verdade no movimento que transforma a potência em acto neste processo?
Se crescemos e evoluímos à medida que deixamos aquilo que está dentro de nós sair e existir na sua honesta e fidedigna realização, sem ajustes, sem retoques e sem cedências, mas em profunda e constante transmutação, quanto mais formos transparentes e fiéis às Vontades que o nosso processo de crescimento exige, mais eficazmente e rapidamente nos expandiremos de encontro à realização em acto de nós mesmos e encontraremos um vislumbre de Unidade na dualidade do relacionamento.

Aceitação ou resignação


Tens problemas? Obstáculos que te parecem intransponíveis? Não consegues progredir?
Uns dizem-te para praticares a aceitação, outros dizem-te para lutar.
Tu pensas: Em que é que ficamos?
Qual é o caminho afinal, e qual é o propósito de tudo isto?
Continua a ler e olha-te por dentro enquanto o fazes.
O ser humano tem uma tendência patológica em resvalar para aquilo que lhe exigir menos responsabilidade e convicção. Esta tem sido a grande causa do arrastar lento e sofrido do processo evolutivo da humanidade em geral e em particular.
Há que compreender, em primeiro lugar, a diferença entre termos como aceitação e resignação; deixar fluir e deixar andar, e entregar e não querer saber.
A Entrega é um dos exercícios mais sublime e subtil da evolução e só é conseguida por aqueles que já brincaram muito ao livre arbítrio e perceberam que afinal ele só é bom numa medida certa e, como sempre, em equilíbrio.
Quando o Homem aprende a arte da entrega, ele elevou-se acima de todas as densidades humanas, de todo sofrimento e tudo flui em perfeita harmonia. Por isso, só aquele que depois de ter já dominado a arte de exercício do livre-arbitrio, compreende que abdicar dele será o único caminho para a verdadeira emancipação da sua alma. Um pouco como quando um pai resolve deixar o filho fazer tudo o que ele quer, acertos e asneiras, durante um tempo para que ele possa aprender por si mesmo a distinguir o certo do errado. Essa aprendizagem será feita pela vivência das consequências das suas atitudes e escolhas. É isso. Nós somos essa criança. Até que um dia essa criança pensa: bem, talvez fosse boa ideia dar mais ouvidos aos conselhos e orientações do meu pai. Afinal ele sabe mais do que eu e mais importante que isso: eu sei que ele quer o melhor para mim, porque me ama incondicionalmente. Então aceita e entrega.
Encontra o equilíbrio entre respeitar a sua própria vontade, pois é seu direito legitimo e inviolável, e a vontade do seu pai.
Aceitação é assim a compreensão de que seja o que for que esteja a experienciar há uma aprendizagem subjacente a ser feita, que por vezes não é mais do que aprender a entregar e deixar –se de rebeldias.
Resignação é algo bem diferente. O resignado não aceitou, muito menos compreendeu a causa e aprendizagem que determinado evento problemático lhe vem trazer. Apenas desistiu. Cansou-se e aí falha numa aprendizagem bem mais primária, que é a responsabilidade que todos temos de agir, de fazer, de concretizar. Como alguém disse: sermos capitão da nossa alma.
Na verdade, antes de aprendermos a ENTREGAR às Vontades do grande oceano, devemos aprender a saber COMANDAR o nosso leme. O resignado largou o leme, demitiu-se da sua responsabilidade.
Cada um de nós tem o seu barco e seu leme para comandar, mas todos partilhamos o mesmo oceano, e vai ser o equilíbrio entre a nossa destreza como capitães e nosso conhecimento, respeito e aceitação dos comandos do grande oceano, com suas calmarias e tempestades, que definirá nossa chegada a bom porto.
Então agora que já compreendemos a diferença entre entrega e resignação, como saber, afinal, quando é tempo de entregar e aceitar e quando é tempo de lutar, agarrar no leme e enfrentar as ondas e ventos contrários?
Bem aí, é tempo de parar e olhar para a situação com os olhos do bom aprendiz.
Faz-te esta primeira grande questão:
Há algo que eu possa fazer para mudar esta realidade?
Se a resposta for sim, mesmo que seja um sim que te parece muito difícil de realizar, e é quase sempre, ele está lá e tu sabes e não vais poder ignorá-lo. Podes até tentar convencer os outros que não, não é possível, não há nada que eu possa fazer, mas se puderes, TU vais saber e isso vai vibrar em ti, vai atrair para a tua vida tudo o que for preciso, todas essas dificuldades até que tu reconheças e acredites no teu próprio poder. Então se podes fazer. Faz. Faz tudo o que estiver ao teu alcance. Não desistas, não atires a toalha ao chão, enfrenta. Pois com certeza é essa a aprendizagem que precisas fazer. Nesse caso, é tempo de reivindicar teu livre arbítrio, teu poder de agir e transformar tua realidade em algo melhor. Olha para trás, para compreender as causas. Que escolhas fizeste que desencadearam essa consequência que hoje vives? Depois de identificadas, corrige-as. Muda-te, transforma-te através da experiência. Sê capitão do teu barco. Agarra o leme e muda de direcção para aproveitares ventos mais favoráveis.
Se por outro lado, perscrutares tua alma e a resposta for não, não há nada que eu possa fazer para mudar esta realidade, aí entrega. Com certeza a aprendizagem que tens a fazer diz mais respeito ao exercício de humildade perante aquilo que te transcende do que a avaliar tua capacidade de fazer frente aos obstáculos, tal como bom capitão que reverencia a supremacia do grande oceano, entregando-lhe sua vida sempre que se faz ao mar.
Aqui, é-te pedido para aprender a confiar, saber receber, saber deixar fluir que é deixar-te guiar por uma sabedoria bem maior que a tua, que te embala suavemente e conduz, se te deixares levar.
Contudo é importante compreender que a verdadeira entrega, aquela que não é forçada por um sentimento de incapacidade e passa assim a ser um “não quero mais saber”, só é possível quando acompanhada pela aceitação.
Para fazer a Entrega, é preciso ter feito antes a Aceitação, pelo menos a primeira fase da aceitação. Esta acontece quando abraçamos toda a experiência, aceitando-a completamente por saber que há nela algo revelador e impulsionador para nossa alma, mesmo que não saibamos o quê no momento. É como dar um voto de confiança ao universo. Depois disso, é normal não tardar muito até recebermos a informação que faltava, para compreendermos a causa efectiva de todos os eventos que tanto nos abalaram. E aí a magia acontece: Tudo vai embora, tudo é curado, tudo é corrigido, transcendido e ultrapassado.
Então, pensando bem, não é assim tão complicado:
Se tens um problema, resolve-o. Se a resolução não depende de ti, aceita e entrega.

A eterna dança das polaridades


Na sequência de reiteradas vivências profundamente marcadas pela supremacia do gênero masculino, a mulher começou a despertar lá pela década de 60, dando de forma mais ou menos extravagante o seu merecido “grito do Ipiranga”.
Desde aí, temos assistido a grandes mudanças, embora num ritmo muito diferente dependendo de que zona do globo observarmos. Ainda assim, todos parecem caminhar no mesmo sentido: A emancipação do género feminino.

Sendo este um tema central do final do século passado, valerá a pena hoje refletirmos mais profundamente sobre ele? E sobretudo, não seria útil compreendermos o que esta revolução significa para além das evidências? Mais ainda: que consequências nos trouxeram estas grandes transformações?
Para a compreensão mais profunda deste tema impõe-se a compreensão da diferenciação entre masculino e feminino e homem e mulher. Independentemente do sexo há um equilíbrio ideal entre estes dois princípios, tanto no homem como na mulher. Os animus e anima de Jung. Um homem tem, assim, aspectos femininos, assim como a mulher tem masculinos, e no ideal, ambas estas energias devem conviver harmoniosamente em cada ser.
Posto isto, voltamos à questão que nos merece alguma reflexão. Como se situam as mulheres e os homens nestas grandes transformações mundiais?
Observando a mulher, é fácil verificar que a emancipação do género feminino levou à supressão da energia feminina ao invés da celebração da mesma. Naturalmente, pela opressão sofrida ao longo de séculos, as mulheres fizeram aquilo que todo oprimido faz, numa primeira fase: transformou-se no seu opressor.
Então temos mulheres que se transformaram de tantas formas verificáveis em homens de saia. Mulheres ativas, eficientes, independentes, positivamente emancipadas, mas também mulheres cada vez mais afastadas da maternidade, da intuição e afetuosidade que caracteriza o género. Por outra, não é difícil observar que, do outro lado, temos homens que se transformaram em mulheres de calças. Verdade: homens mais compreensivos, afetuosos, e intuitivos, mas também mais dependentes de uma “mãe”, mais passivos e com menos capacidade de iniciativa. O macho alfa transformou-se em macho beta.
Recordo que para compreender o alcance da questão é necessário ter em mente que falamos também de um princípio masculino, que se associa ao hemisfério esquerdo do cérebro e regula o raciocínio lógico, a razão, à força vital que avança em linha reta, e de um princípio feminino que se associa ao hemisfério direito e se liga à criatividade, à intuição e à quietude que acolhe a germinação das coisas.
É legítimo perguntarem agora: estas grandes transformações são negativas?
Absolutamente.
Para que o equilíbrio se estabeleça há sempre esta tendência para oscilar entre as polaridades. Essa é a dança das massas. O oprimido quer ser como seu opressor, e vai sê-lo logo que tiver oportunidade,  assim como colono quer ser como seu colonizador, a minoria como a maioria, etc...
A questão que se coloca aqui, numa perspetiva de evolução pessoal, é como não nos deixarmos arrastar pela onda da consciência coletiva.
Há apenas um caminho: elevando nossa consciência individual acima da consciência coletiva. Compreender o quadro mais vasto, ver de forma mais ampla. 
É verdade, que é quase sempre inevitável, ou talvez mesmo necessário, provar a polaridade oposta antes de conseguirmos situarmo-nos no caminho do meio, onde mora o equilíbrio. Mas perpetuar esse posicionamento em qualquer um destes extremos é responsabilidade de cada um. A onda coletiva arrastou a humanidade durante tempos pela supressão do feminino, tende agora à inversão para o extremo oposto. Saibamos individualmente e como comunidade equilibrar os polos sem termos de viver as dores que todos os desequilíbrios trazem.
Temos na história exemplos desta proeza: resistindo aos instintos mais primários que levam à vontade de subjugar os opressores, Mandela mostrou ao mundo que outra via era possível: a via da reconciliação dos opostos. Logo, se foi possível para uma nação, pode sê-lo para mundo inteiro e para cada um de nós.
Por isso, se é mulher, mergulhe dentro de si e verifique  até onde suprimiu o feminino. Até onde se muniu de todas as armas para combater num mundo que vê hostil ? Até que medida, fez tudo o que podia e não podia para corresponder a tudo o que pensou que lhe exigiam, para nunca mais se rever em situações de dependência ou subjugação? Quantas vezes calou aquela voz interior que lhe apontava um caminho, mas que contrariava todas as lógicas? E se arrependeu... mais tarde, sempre muito mais tarde, demasiado tarde. Quanto adiou a maternidade, ou a passou para segundo plano por não caber na exigência do ritmo que se impôs? Quanto suprimiu da sua criatividade livre para executar, fazer, fazer, fazer?
E se é homem, a questão poderá ser inversa: pergunte a si mesmo quanto suprimiu o masculino. Até onde levou as suas desistências? Até que ponto baixou os braços e se instalou no aparente conforto da passividade? Até que ponto se instalou na dependência de uma “mãe” que pode ter muitos rostos?
O caminho nunca se faz para trás, logo não se trata de voltar onde estivemos, pois aí os desequilíbrios era ainda maiores do que hoje. Trata-se sim, seja homem ou mulher, de acelerar o processo de equilíbrio entre o princípio masculino e feminino dentro de si, reconciliando-os, saltando para o meio para evitar a eterna dança entre as polaridades.

Mónica Guimarães

A Alma Emancipada


A alma emancipada é aquela que pensa pela sua própria cabeça e sente pelo seu coração. 
É aquela alma que é verdadeiramente livre. É aquela que transcendeu seus ancestrais, embora saiba que carrega em si toda essa ancestralidade. 
Aceita-a, respeita-a, mas não se deixa condicionar por ela. 
Reivindica sua própria criatividade e a divindade inerente a esse atributo. 
Sabe que isso a deixa suspensa no vácuo, mas a sua natureza nobre permite-lhe entregar-se a essa derradeira rendição.
Mónica

Meteora - Grécia

A singularidade


És singular a partir do momento em que desistes de seguir modelos ou ídolos, desistes de copiar, de imitar, de citar, enfim desistes de desejar ser outro senão tu mesmo.
Quando isso acontece, tens finalmente condições para te virares para ti mesmo, e aí, ha! aí é que começa a grande aventura.
sim, aventura, descoberta...
Por que julgas que te conheces? mas sabes tão pouco de ti.
Desconheces a tua grandeza, ignoras ou camuflas tua pequenez e esforças-te tanto, tanto para seres algo que não és, nem nunca serás. E o motivo é simples: Ninguém é igual a ninguém! e é essa verdade que faz deste universo uma criação tão singular e divina.
Já reparaste que quem está verdadeiramente vocacionado a realizar algo que se encontra na conformidade do Propósito tem quase sempre uma tendência à resistência e negação, numa fase inicial?: "O quê? Eu fazer isso eu? não, não pode ser, não entendo nada disso, ou ...."
Por outro lado, outros perseguem essa mesma realização e nunca a alcançam, pelo menos não num nível satisfatório.
E por que é assim?
Porque o primeiro não busca ser nada do que vislumbra fora de si, não segue modelos, nem partidos, nem clubes, nem mestres ou gurus, e por aí fora...
Esse primeiro é verdadeiramente um espírito livre e singular. Então vai ter de ser "convencido" pelos sinais que a Inteligência que favorece a que todos os Propósitos se cumpram lhe vai enviar, para encorajá-lo a olhar um pouco mais atentamente para dentro de si, com um pouco mais de atenção. E aí, ele vai verificar qual efectivamente é seu caminho.
O Propósito veio ao seu encontro e ele seguiu-o pelo reconhecimento dessa verdade dentro de si, mas nunca o perseguiu, nunca o desejou por vê-lo realizado em outros.
O segundo faz o contrário e por isso se perde no grande equívoco. Confunde Propósito com ambição. Quer uma realização que vê no outro e persegue-a. Mas isso é um erro fatal. Fatal porque representa a morte do Eu. Tentar ser outro é matar o Eu, é negá-lo, ignorá-lo, humilhá-lo. É vesti-lo com roupas que nunca lhe cairão bem, porque foram feitas para outro corpo.
E nesse processo de morte, perdes tempo, perdes oportunidade, perdes possibilidade de te descobrires.
Assim, transformas-te nessa amálgama disforme que resulta da mistura de ti e dos outros, tudo sobreposto, tão confuso, tão caótico que o brilho das tuas verdadeiras cores, a harmonia das tuas verdadeiras formas e o acto das tuas realizações ficam remetidas lá bem para o fundo de todas essas camadas.
Com isto, o mundo perde a oportunidade de se maravilhar com a tua verdadeira SINGULARIDADE.

Mónica

terça-feira, 3 de abril de 2012

Fui num pé e vim noutro...

Olá,
Regressei recentemente do Brasil, onde pude beber mais um pouco desse "ar aberto" que nos falta por cá, por vezes.
Concluí o 3º nível do curso de Apometria Quântica e trago na pequena bagagem que a minha mente suporta um vislumbre de Infinito!
Sou grata a todas as consciências que se reuniram nesta maravilhosa partilha de saberes.
Quando vislumbro cenários maiores, reforço esta interrogação que me acompanha, sempre, que observo as pessoas e a mim mesma:
Quão limitados continuamos a estar pela estreita visão do nosso pequeno quintal?
Se o mundo é infinito campo onde as possibilidades são frutos da colheita de cada um!

abraço fraterno

sábado, 25 de fevereiro de 2012

SOMOS TODOS UM

Somos Todos Um
No mais puro e profundo do nosso coração mora esta verdade.
Quando a sinto, por vezes, choro.
Choro pela constatação daquilo que continua a separar-nos. Qual corpo dilacerado em pedaços de dor e solidão.
Por que não compreendemos para além da ilusão que criamos?
Por que nos deixamos iludir pelo mundo que projectamos?
Por que não conseguimos ver mais além do espectro?
Por que nos auto-limitamos?
Por que nos anulamos insistentemente?
Temos medo! Só isso.
Somos todos o mesmo. Na verdade, não passamos todos de uma criança assustada, que foi fechada num quarto para aprender a lidar com os seus fantasmas.
Fica lá, até compreender que ela própria os cria, pois, na verdade, não passam de sombras, e é só um quarto vazio e uma mente cheia. Nada mais.
E para entrar na Luz, basta ter coragem de abrir a porta sem saber o que há para além dela.
Coragem, coragem, Coragem! Para rumar ao desconhecido.
Coragem para romper, com a força de um furacão, as fronteiras que nos separam do Infinito.
É certo que a união tem a força de todas as tempestades.
Somos Todos Um.
Nesta verdade, podemos dizer que o Infinito é Nosso.
Juntos podemos, Irmãos de Luz!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Essência de Lua


Tem calma. Dá o tempo necessário à vida. Não queiras ultrapassar a ti própria. O teu propósito é grande, sempre o soubeste.

Hoje vês esta verdade bem mais próxima que outrora. Sabes da tua missão. Sabes que estás no sítio certo. Mas sabes o mais importante: nada tem de ser, nada é obrigatório, nada é certo. Tu sabes hoje que a cada instante co-crias o teu mundo.

Hoje olhas para trás e vês apenas o espectro daquilo que foste um dia.

Hoje olhas a noite e vês que a lua já não tem o mesmo brilho.

Hoje sabes que a luz do sol sempre fez parte de ti.

Hoje revela-se a essência de quem és, Astro Rei, Astro Rainha.


Hoje és a mesma mulher que sempre foste, na essência, sabes que é assim, embora haja tanto de ti que mudou. Transformaste-te na borboleta que voa leve, que voa livre.

Ainda és capaz de ouvir o pranto daquela mulher que foste, aquele pranto que rompe o silêncio do deserto. Embora já não reconheças as palavras, daquela língua já para ti longínqua, sentes-lhe o gosto e sabes, tudo o que a tua alma sussurra, como soprava a brisa no teu rosto, sempre que ousavas destapá-lo. Há esse diamante bruto dentro de ti, mas cobriste-o com roupagens demais. No mais fundo de ti há a verdade deste ser, que é e que existe mais do que tudo o que por ti foi passando. É e existe, transcendendo aquilo a que chamam tempo, aquilo a que chamam espaço.

Eterna inquietude, minha filha. Sê mãe e transmuta assim a tua rebeldia.

sábado, 14 de janeiro de 2012


Quando as verdes colinas viviam férteis de amor,
Tudo florescia em perpétua abundância,
Nos corações de todas as Consciências.

Oh! Paraísos perdidos!
Voltai!

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012, e agora?

1 de Janeiro de 2012, Saudações neste dia.

2012, e agora?
E se amanhã não houvesse sol. O que farias?
O que farias se soubesses que tudo está prestes a terminar?
Eu sei o que farias:
deixarias de ter MEDO.
Abraçarias quem queres abraçar, dirias o que queres dizer, farias o que queres fazer, não perderias mais tempo com hesitações, correrias para o que sabes interiormente que é certo para ti.
E tudo, por isso mesmo: porque não haveria mais TEMPO.
Mas sabes…
em 2012 vai continuar haver tempo. Como sempre houve e como sempre haverá.
O Sol vai continuar a erguer-se com cada manhã. E cada dia continuará a ser mais um dia, de sol, de chuva, de calor e de frio, de dualidades…
Então, pergunto:
Se tudo vai continuar a ser igual, o que vais TU fazer para que haja mudanças?
Vais tentar mudar o que está fora de ti… talvez…
Talvez voluntariado??? Sim é bom!
Talvez fazer mais reciclagem, cuidar a natureza? Também é bom!
Talvez comprar produtos da terra?... Sim…também não é mau!
Dar mais esmolas aos pobres? …Poderá ser uma coisa boa também.
Talvez sorrir mais?... Muito bom!
Mas sabes…
Mesmo que faças cada uma destas coisas e tudo isto…
TUDO CONTINUARÁ A SER IGUAL
Então, perguntas:
Quando é que as coisas mudam mesmo então?
Posso dizer-te.
Mas será que tu queres mesmo saber?
Saber vai acrescentar-te pressão, oh! Talvez até stress. E dizem por aí que essa coisa do stress é muito complicada e traz muitas complicações.
Pensa bem. Podes sempre não ler mais.
PODES SEMPRE FICAR POR AQUI.
TU ESCOLHES.
TU ESCOLHES SEMPRE.
Mesmo quando te parece que não é bem assim.
Bom, ainda cá estás.
Então sabes…
Se queres efectivamente mudanças, começa por TI.
Como?
Assim:
Agindo sempre sendo coerente com a tua VONTADE e a tua FÉ; procurando SABEDORIA e aprendizagens em tudo o que vivenciares; pautando todos os teus relacionamentos no AMOR sem condições; preconizando a PAZ acima de tudo, porque enquanto tiveres desamores ou conflitos por resolver, por perdoar, nada mudará substancialmente na tua vida; procurando a verdadeira CURA dos teus desequilíbrios e favorecendo a cura daqueles que te rodeiam; aprendendo a VER para além de olhar, ver multidimensionalmente, ver em diversas perspectivas e fundamentalmente conectando com o teu professor interno para que possas compreender o que vês e sentes e para que assim possas TRANSMUTAR E TRANSCENDER.
E para que não haja lugar a equívocos:
NADA DISTO É PARA SER FEITO NO CAMPO DAS IDEIAS, não, não… assim não conta!
Sim, é para ser feito aqui, no plano físico, sim pois, isso mesmo…naquilo que é palpável.
Ou se quiseres, por outras palavras:
De dentro de TI para TUDO MAIS QUE ESTÁ FORA.
Ah sim! Com o teu pai, claro!
A tua mãe? Obviamente!
Companheiro, marido, ex-qualquer coisa? Evidentemente!!!!
Com os irmãos, com os amigos, com o senhor da mercearia com quem foste indelicado? Cristalino como água! enfim…
Depois disso, tudo bem… vamos lá começar a pensar voar mais alto.
Quando olhares à tua volta e não houver mais ninguém com quem estejas em conflito – e atenção que os conflitos surdos também contam, a chamada PAZ PODRE, pois, porque resolver não é esquecer e virar costas – então aí sim, quando olhares com atenção verás MUDANÇAS EXTRAORDINÁRIAS!

SÃO ESSAS MUDANÇAS EXTRAORDINÁRIAS QUE DESEJO DO FUNDO DO CORAÇÃO QUE TODOS CONSIGAM NESTE ANO de 2012 OU NOUTRO ANO QUALQUER, POIS O TEMPO É SÓ O TEMPO… pode ganhar-se ou perder-se

DESPEÇO-ME COM SAUDAÇÕES FRATERNAS

Mónica, com Alguém a soprar-me ao ouvido

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As três Marias

 As Três Marias
As mensagens vem sempre em fragmentos, e, não raras vezes, entre um entendimento e outro passam tempos que aos olhos da nossa curta vista se afiguram demasiado longos. Sempre foi assim comigo, talvez para contrariar o meu espírito inquieto e por vezes ansioso… talvez para contrariar esta necessidade constante de procura… talvez para que eu possa na constatação convencer-me que o resultado da procura encontrar-me-á quando tempo disso for e não quando eu quiser. 
            O segredo está na entrega. Sem ela nada se alcança. Para quem sempre lutou, pensando que essa era a única saída, esta foi uma lição dura de aprender. Quando as dúvidas e as interrogações tiverem ocupado todo um tempo, todo um espaço e toda uma mente, acreditares que um dia tudo será diferente, se souberes deixar que a sincronicidade aconteça, se souberes, bem dentro de ti, que basta um instante para que tudo mude. Este é o equilíbrio entre a acção inspirada, intuitiva e o deixar fluir. 
           Há momentos na vida que, embora revestidos de uma aparente trivialidade, marcam a nossa existência, pois revelam pequenas fibras preciosas da malha na complexa urdidura do nosso ser. Este momento, em particular, encontra-se na alvorada deste pequeno pedaço de vida que convosco partilho.    
         A minha alma chorou muito nesta vida, como muitas outras almas deste mundo. As vezes, por razões concretas, outras vezes…          Esta outra dor, essa não encontra causas nos limites desta vida, mas sempre me acompanhou.  Tinha 33 anos. Deixara para trás… enfim tudo, para além do meu ser. Deambulava pela cidade que fora a encruzilhada da minha vida, sufocada por uma dor que já não cabia no meu peito. No limite da minha resistência avistei uma pequena igreja. Entrei e deixei me chorar. Subitamente a minha consciência foi projetada para um outro tempo, um outro espaço. Vi-me e senti-me de joelhos numa terra de chão árido e seco e de um sol quente encoberto por um céu pesado e escuro, sentindo a imensa dor da perda. Perda de alguém que eu amava sem limites. Seguidamente estas palavras ressoaram na minha mente: “O meu nome é Miriam”. Tive assim consciência de mim, como uma mulher numa terra distante de longos cabelos cobertos por um manto empoeirado, derrotada por uma dor maior do que ela.     
 Hoje compreendo bem esta sinergia que subtilmente nos conduz, nos guia e nos revela, quando tempo é chegado, fragmentos das razões da nossa existência. Todos podemos relembrar e reaprender esta forma de comunicar com a nossa essência e maravilharmo-nos com as revelações que a cada sopro de vida podem surgir.     
    Neste momento, em que vos escrevo, constato, num olhar subitamente iluminado, o significado de sucessivos “acasos” na minha vida, num processo com uma duração aproximada de três anos, que encontram agora o seu culminar. Contudo para que tudo começasse a acontecer, para que a engrenagem começasse a funcionar e a sincronicidade acontecesse, foi preciso fechar velhas portas, abrir mão de apegos e dar um salto de fé. Quando assim é, inicia-se um novo caminho, ao longo do qual vão-nos sendo dadas pistas, mais ou menos evidentes das verdadeiras linhas que traçam o nosso propósito nesta vida.    
     Muitas pessoas passam pelas nossas vidas, umas permanecem, vão ficando mais tempo, outras não se demoram mais do que é necessário para cumprir a sua função. Assim, como o carteiro, que fica breves instantes à nossa porta, mas é, por vezes, portador de mensagens que nos marcarão pela vida toda. Assim foi com este homem que veio do outro lado do Atlântico, do Brasil e que um dia cruzou o meu caminho, trazendo consigo mensagens. Uma delas só hoje começo a compreender. Deste breve encontro de percursos ficou um livro. Livro esse que não tive oportunidade de devolver. Portanto quando me foi entregue, foi-me dito que era importante lê-lo, mas que o queria devolvido. Nessa ocasião não lhe dei grande importância, nem consegui ler mais do que duas páginas e o livro acabou por ficar largado numa qualquer prateleira. “Os cátaros e o Catarismo – DO ESPÍRITO À PERSEGUIÇÃO”      
  Vários meses se passaram. Numa viagem nocturna de carro em direcção a Marrocos, os meus olhos fixavam-se no céu, onde as Três Marias brilhavam com uma intensidade invulgar, parecendo querer guiar-me para um destino maior. Chegamos a Algeciras às 11h em ponto, o meu companheiro Alexandre Valente e eu. Mais tarde, quando saímos até à praça central, uma procissão de Nossa Senhora da Assunção começava a sua marcha. Era dia 15 de Agosto de 2008.
 A caminho de Gibraltar, encontrei a meus pés, no chão, uma cruz. Uma cruz peculiar, diferente das mais comuns. Apanhei-a e guardei-a, sem compreender o que ela significava, mas sabendo que era suposto guardá-la. E, na verdade, assim permaneceu guardada, assim como o livro, um pouco ao abandono, até agora, momento em que outras peças do puzzle surgiram e encaixam deixando tudo mais claro.       
   Nos anos que se seguiram até hoje, fui levada a diversos locais da região dos cátaros, em França, em três viagens diferentes, região essa onde nasci. Aparentemente foram sempre acasos ou enganos que nos levavam a estar nos locais certos, no momento certo. 
    A primeira vez, numa volta por vários países da Europa em caravana, uma distração na estrada fez-nos “desviar” do trajecto previsto e colocou-nos na rota de Lourdes, gruta e santuário Mariano, em pleno coração do país dos Cátaros. Chegamos à gruta às 11horas precisas, sem ter feito nada para que assim fosse.        
  Naturalmente, é preciso ver para além desses aparentes “enganos” e “coincidências”, estando sempre vigilante, aceitando-os, não como desvios ou inconvenientes, mas sim como desígnios maiores. Desta feita, fomos para Lourdes e sentimos como uma bênção a energia de Amor e cura daquele local.         
  Um ano depois, tendo intenção de viajar para a ilha de Rhodes, na Grécia, verificamos, depois de ter já comprado os bilhetes de avião, que outro “engano”, desta feita um erro ortográfico,  tinha feito do nosso destino Rodez em França e não Rhodes na Grécia. Novamente nos víamos puxados para o coração da região cátara. Mais uma vez, resolvendo não contrariar este destino que insistia em levar-nos para a minha terra natal, fomos para Rodez. Aí, processos cármicos foram accionados por ressonância com o local. Transmutações e entendimentos feitos, concluímos que as razões destas viagens se esgotariam por aí. Hoje, porém,  entendo que as motivações são mais amplas e ultrapassam o karma pessoal dos envolvidos.    
   Na verdade, apenas nos deixamos levar por esta inteligência que nos guia e nos aponta caminhos. A entrega é isto. Ir, sem mesmo saber porquê, sem mesmo saber para quê, sem mesmo saber o que nos espera para além. Ser como o rio que flui. Confiar, ter paciência e acreditar que um dia, se necessário for, tudo nos será revelado. Mas, a seu tempo, sempre a seu tempo. No tempo certo.           
  A terceira viagem a França aconteceu este ano, em Setembro. Só depois de tudo acontecer nos apercebemos das ditas “coincidências”: saímos dia 1 e voltamos dia 11. 11 dias de viagem. Ficamos no departamento francês número 11, pormenor que só nos saltou à vista dias depois pela observação pelas matrículas dos carros dos residentes. Por ser uma região montanhosa e abundante em grutas, eu sugeri para que fossemos visitar pelo menos uma das muitas existentes. Escolhemos uma, que por ter um rio subterrâneo e cuja visita é feita em pequenos barcos, nos pareceu a mais interessante. No dia seguinte seria a primeira visita do dia. Mas não foi. Choveu tanto nessa noite que a gruta fechou as visitas. Ainda tentamos outra, mas também foi impossível. Resolvemos assim seguir até ao nosso destino final, onde iríamos ficar o resto da semana: o departamento 11 Aude, na região Languedoc. Aí, tudo fluiu. Acabamos por visitar “La grotte des Demoisselles”, de seu nome antigo “Gruta das Fadas” como referiu o guia da visita.     
   À entrada da gruta o meu coração batia mais forte que o normal. Não sabia o que me esperava, mas tinha a certeza que algo me esperava. Nesta ocasião eu já tinha compreendido há muito que a minha ligação com aquela terra ia para além do facto de ter lá nascido nesta encarnação. O guia fez várias referências aos cátaros, às perseguições e às superstições que fizeram com que tanta gente morresse pela lâmina da ignorância. Falou das “fadas”, das mulheres perseguidas e mortas durante séculos e que naquela gruta encontraram o seu último sepulcro.   Existem também teorias que apontam aquela região catára como último destino de Maria Madalena, esposa de Jesus, após ter fugido para Alexandria no Egipto. Mais precisamente Sainte Marie de la mer, no sul de França, muito próximo do local onde nos encontrávamos. Tudo isso, para mim era já sabido, pela procura das razões que fui fazendo para compreender a revolta e rebeldia que toda a minha vida sentira relativamente à uma supremacia masculina que nunca aceitei.   De facto, depois da constatação de um padrão kármico vem a compreensão e finalmente o perdão. Na ocasião desta viagem, eu já tinha conseguido passar por todas essas etapas. O perdão estava já feito. Demorou o seu tempo, é verdade, mas um dia, percebi que já tinha feito as pazes com os homens. Já tinha então feito as pazes com essa parte de mim. E é assim que as coisas se processam. Vão nos sendo feitas revelações à medida em que vamos fazendo o trabalho interior, à medida que vamos tendo merecimento. Após passar vários túneis estreitos e claustrofóbicos, que me permitiram enfrentar um dos meus maiores medos, o espaço abriu-se repentinamente numa câmara gigantesca com 52 metros de profundidade, de onde, bem no centro, irrompe do solo, bem do coração da terra, uma estalagmite que resolveu tomar as formas de uma mulher segurando o seu filho no colo. O guia fez referência à formação como sendo Maria segurando Seu Filho.
Naquele momento percebi e na minha mente ressoou:  EU ESTOU AQUI E EM TODA A PARTE, EU SOU VOSSA MÃE  Ali estavam representadas todas as mulheres perseguidas, subjugadas, remetidas ao silêncio e à escuridão, mas que apesar de tudo, se reerguem do solo, renascem, qual Fénix, pelo milagre da fecundidade.  
EU SOU A MÃE, NO MEU VENTRE TODOS CABEIS, POIS TODOS SOIS MEUS AMADOS FILHOS.    Regressados de férias, comecei a concentrar a minha atenção na organização do evento do dia 11 de Novembro de 2011, o que me levou a pesquisar eventuais canalizações sobre o portal tríplice. Deparei-me com a esta meditação: “A Abertura do Portal Estelar da Rosa 11:11:11 - Meditação por Maria Madalena. Estarrecida com o que estava a ver, aceitei grata mais esta revelação.       
  Muitas situações aconteceram ao longo da minha vida cuja explicação ficou durante tempos suspensa e sem resposta. Uma das que mais me intrigou, aconteceu no decorrer de uma apometria, à qual fui sujeita. No ano de 2009, trabalhávamos com apometria, ainda no método tradicional. Foi desta forma que foi canalizada pelos médiuns uma instrução deveras estranha: foi dito para acertar a minha vibração/ data de nascimento para o dia 11/11/1973, (o que dá 11:11:11), quando a minha data de nascimento é 12/10/1974. Os médiuns canalizaram a data sem sequer se aperceberem que a soma dava 11.11.11, saindo das suas bocas em uníssono. Sem hesitações, o dirigente da apometria, Alexandre Valente, executou a instrução, sem contudo saber qual era a finalidade, mas, mais uma vez, num exercício de confiança e entrega a uma sabedoria maior do que a nossa. Muitas vezes nos questionamos sobre qual seria a razão de tal acerto, mas nenhuma resposta veio, até agora. Só no momento em que me deparei com a meditação da Rosa Sagrada para o 11:11:11, canalizada para a data portal de 11/11/2009 é que entendi o ajuste efectuado.
Passaram 2 anos, mas a resposta chegou. E com esta resposta, outras começaram a fazer sentido. Como que se subitamente várias peças dispersas começassem a reunir-se encaixando-se numa lógica perfeita e avassaladora. 
 Ainda no final de 2009, aquando da sintonização do Curso de Apometria Quântica, Carina Greco revelou-me a minha afinidade com a Fraternidade Rosa de Órion. Logo, na minha mente e no meu coração se fez luz quanto à ligação com as Três Marias e voltou a imagem das três estrelas brilhantes no céu numa noite de verão a caminho de Marrocos. Curiosamente, apesar de ser uma associação fácil de fazer, nunca estabeleci a ligação evidente que há entre a instrução vinda na apometria, do acerto da data de nascimento, e o portal 11:11 da fraternidade Rosa de Órion.   
Hoje compreendo o porquê. Faltavam ainda peças neste jogo. Faltava-me concluir este processo interior de perdão. Quando li a meditação compreendi que se tratava de equilibrar em nós as energias masculinas e femininas, e isso nunca poderia acontecer sem que os processos de entendimento/perdão associados estivessem concluídos. E esta é a razão destas linhas. 
 Esta constatação trouxe-me à mente aquele livro, que anos antes me tinha sido emprestado. Começando agora a perceber a razão desse facto. Comecei a folheá-lo e ao lê-lo encontrei, na descrição das cruzadas levadas a cabo pelos Rei Francês e pelo Papa infligidas aos Cátaros, todas as cidades pelas quais tínhamos passado nas três viagens que vos relatei: Carcasonne, Albi, Rodez, Montsegur, último reduto cátaro.
Ao constatar estes factos rendia-me ao facto de sermos efectivamente guiados por uma consciência maior, sem termos, na maior parte das vezes, a mínima noção disso. Estupefacta já com todas estas revelações, virei mais uma página no livro, longe de imaginar que mais viria, e aí estava ela, numa ilustração com fotografias das ruínas cataras, a cruz cátara. Saltou à minha mente a cruz que anos antes tinha surgido ao meu pés entre Algeciras e Gibraltar. Fui buscá-la no local onde ela estava guardada desde então e pude comparar, verificando que a cruz encontrada e a ilustração eram efectivamente as mesmas, e que se localizavam em Aude, como se pode verificar pela legenda, departamento onde ficamos nesta última viagem, onde se situa a Gruta Das Fadas.   Mas ainda encontrei mais conexões:
Nestes últimos três anos, O Alexandre e eu acompanhamos vários grupos num curso que preparamos e que intitulamos “Corpo de Luz” por ter como base o livro “O que é o Corpo de Luz” de Tashira Tashi-ren. Este ano terminará este processo com o último grupo que se encontra, neste momento, a concluir.     Descobri com a leitura do livro que, embora cristãos, os Cátaros diferenciavam-se por muitas razões do catolicismo, sendo que, um dos aspectos mais marginais aos conceitos de Roma assentava na postura de perfeito equilíbrio entre o feminino e o masculino, sendo inclusive dada a possibilidade de pregação a mulheres. Para além desta fundamental diferença, encontra-se no seio da filosofia cátara a crença na reencarnação e numa evolução através de um desligar gradual do corpo físico para o desenvolvimento do “Corpo de Luz”. De facto, já estava lá naquele livro tão velhinho e guardado num canto, a expressão “Corpo de Luz” que intitularia um curso que o Alexandre e eu conduziríamos durante este período de três anos.     
   Há muito sei que o meu nascimento nesta região francesa estava associado ao meu karma pessoal, no padrão de supressão do feminino, que marca a história dessa região pela perseguição e aniquilação total dos cátaros e da sua filosofia de vida. Milhares de homens e mulheres sucumbiram nas fogueiras por acreditarem nessa complementaridade do feminino e masculino. E as terras do Languedoc ficaram marcadas com a opressão desses homens e mulheres de espírito livre., simbolizando a supressão do feminino pela supremacia masculina de Roma. 
   Neste ponto ficava claro para mim que o propósito de tudo isto que convosco partilho não se encerra no meu processo e karma pessoal e ultrapassa os limites da minha própria aprendizagem e evolução. Foi simples compreender que teria de passar pela partilha das mensagens.
 Tive a certeza disso, de que não era só para mim quando apenas há uns dias atrás, quando informava um grupo de pessoas sobre o local do evento do dia 11 de Novembro de 2011, Póvoa de Lanhoso, uma amiga, professora de história que se encontrava presente exclamou imediatamente: Póvoa de Lanhoso, foi aí que começou uma grande revolta de mulheres, que se espalhou por todo o país, encabeçada por uma mulher que ficou conhecido com Maria da Fonte. Ouvi estas palavras, olhei para o céu, e agradeci mais esta mensagem e confirmação de que tudo está como é suposto… Mais uma Maria. E mais uma vez somos conduzidos ao lugar certo.      
  Na verdade, partilho convosco tudo isto porque entendo que me aconteceu não por eu ser diferente, mas pelo contrário, por eu ser igual a todos vós, por eu ser mais uma mulher como todas as outras, com dualidades e conflitos dentro de si em busca da unificação dos seus antípodas. Eu fiz e continuo a fazer o meu trabalho, já me perdoei muitas culpas através do perdão que fiz aos outros. E se tudo isto aconteceu para vos fazer chegar esta mensagem de que vale a pena baixar as armas e preconizar a paz dentro e fora de nós, então aqui cumpro o meu propósito.

 Assim, mulheres, façam as pazes com os vossos homens.     Homens, façam as pazes com as vossas mulheres.   
   Saibam que esses homens e essas mulheres são aspectos do vosso ser com os quais ainda se encontram em conflito.        
  Façam as pazes com os vossos pais, as vossas mães, os vossos filhos e filhas, os vossos irmãos e irmãs, os vossos companheiros e companheiras, os vossos amigos, e principalmente, com aqueles que consideram vossos inimigos.        
 Façam as pazes com aqueles que se foram e não são mais. Fazendo as pazes com eles estarão a fazer as pazes com esses aspectos de vós. Os aspectos que eles têm espelhado dia após dia. Mulheres e homens saibam que essas outras mulheres e esses outros homens com quem ainda têm atritos ou que olham com desprezo ou altivez são reflexos de parte de vós que um dia renegaste. Mulheres e homens, aceitem e abracem o feminino e o masculino que dentro de vós habitam e devem conviver em equilíbrio.         
  Se querem entrar em portais mais altos, devem, antes de mais, abrir esses portais de Amor, esses que formam sempre que os vossos braços se abrem a um abraço sincero.   
 E se assim for, um dia irão acordar sabendo que vivem o paraíso na terra. 
Mónica Guimarães
Novembro de 2011

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